Marilia Alves fotografia

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Buongiorno bell'anima | Veneza

Um primo meu, que está fazendo intercâmbio, veio me perguntar se eu tinha dicas de estadia em Veneza, onde ele vai passar o fim de ano. Ele acionou minha memória afetiva de tal maneira, que corri para o computador para revisitar minha imagens. Sinceramente, acho Veneza um pouco supervalorizada e fui parar lá algumas várias vezes em excesso. É cidade-museu, não cidade vivível, mas é linda e merecedora de ser conhecida.

Existe a Veneza dos cartões postais, com suas grandes praças, igrejas e bienais de arte e arquitetura, e existe a Veneza labirinto, das ruelas, roupas estendidas, becos e surpresas. As duas se sobrepõem, se deformam e alagam-se. Gosto do perder-se, dos detalhes e das apropriações. A piazza San Marco impressiona, mas o cotidiano é o que inspira.

Claro que eu não consigo falar de Itália, sem falar de comida. Tanto é que meu primo veio me perguntar onde dormir e eu, além de não poder ajudá-lo, já que o teto do hostel em que eu fiquei, cedeu, dei uma lista de comidas a serem engolidas e os lugares onde fazê-lo. Veneza, como toda cidade hiper-turística, é dificilíssima de se comer bem e barato e isso é dez vezes mais irritante quando é na Itália. No país da buona comida, comer uma pizza sem graça é super frustrante e se agrava quando o preço é duas vezes maior do que em outras cidades italianas. A dica é a seguinte: aproveite o horário do aperitivo, que começa por volta de 17h30, para se esbanjar de cicchetti e spritz (ok, eu não gosto de spritz, mas é típico). Cicchetti são o equivalente italiano de tapas, ou seja, comida de bar, só que bar italiano, e cada joguinho de comidinhas custa de 2 a 4 euros. Bom, bonito, típico e barato.

Agora, se o objetivo é comer maravilhosamente bem e o orçamento não está tão apertado, o melhor lugar da vida para comer a melhor parmigiana do mundo (não rodei o mundo ainda, mas é uma certeza) é a Osteria da Alberto. Sucesso absoluto. Sem mais.

(Só para adicionar um pouco de cultura a uma aparente obsessão alimentar, a casa da Peggy Guggenheim é um lugar preciosíssimo de se visitar. Não é todo mundo que tem um Calder sobre a mesa de jantar.)

Qual é a sua maior curiosidade sobre a cidade que está para se afogar?