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A Placenta e o drama da sua Ingestão

Hoje (quarta para mim que estou escrevendo), tive a infelicidade de ouvir pessoas sendo muito grosseiras com Bela Gil, só porque ela divulgou que comeu um pedaço da própria placenta. Hoje (um dia qualquer para você que está lendo), vi o quanto a ignorância pode ser perigosa, porque além de formarem opiniões superficiais, a não identificação deixa algumas pessoas violentas. O diferente assusta e a reação é intensa.
Acredito que a melhor solução para a ignorância é o conhecimento, então vamos falar de placenta e porque cargas d'água algumas mulheres a ingerem! :)

A placenta é um órgão que só existe enquanto o serumaninho está sendo gerado. A placenta aconchega o bebê e o protege contra impactos e é por meio dela que ele se nutre e respira, além de algumas outras funções. A placenta, basicamente, é a intermediária entre a mãe e a criança enquanto ela está em seu útero.
Antes de ver uma placenta ao vivo, eu achava que ela fosse como a bolsa amniótica e revestisse o bebê, mas na verdade ela fica do lado de fora da bolsa, colada na parte de cima do útero ligada ao feto pelo cordão umbilical (existem os casos de placentas que ficam no meio do caminho, dificultando ou impossibilitando o parto). Depois que o bebê nasce, nasce a placenta também. Fiz o vídeo a seguir na primeira vez em que vi uma placenta e nele a parteira expõe alguns de seus usos:

Agora, por que alguma mulheres comem a própria placenta?
A placenta é rica em ferro, vitaminas B6, vitamina E, ocitocina e hormônio liberador de corticotropina. Todos esses elementos contribuiriam para a absorção de oxigênio nas células, na fabricação de anticorpos, na cura de células danificadas nos tecidos, no retorno do útero ao tamanho normal e a reduzir os níveis de estresse. Ainda não está comprovado que a ingestão da placenta ajude a diminuir o sangramento ou a prevenir a depressão pós-parto, mas mulheres que já pariram sem ingerir e ingerindo dizem sentir a diferença tanto no humor quanto fisicamente.

Tem que comer na hora? E crua?
Existe uma molécula na composição da placenta chamada Placental Opioid-Enhancement Factor que possui um importante efeito analgésico, mas que só permanece ativa por algumas horas após o nascimento da placenta, ou seja, quanto mais cedo a consumir, maior o efeito analgésico.
Uma forma saborosa de consumir a placenta é em uma vitamina que pode ser adaptada para o gosto da mulher. Basta bater um pedaço da placenta crua com 1 ou 2 tipos de fruta e um líquido, como água de coco, leite de amêndoa, etc... Quem já experimentou assim, diz nem sentir gosto diferente de uma vitamina comum.
Algumas preferem comê-la crua molhada no shoyo, estilo sashimi e outras até a cozinham rapidamente na frigideira. 


Para quem não se sente confortável em tomar a placenta tal e qual ela é, é possível conservá-la de outras formas, sendo as mais comuns em tintura, em cápsulas ou creme.
A tintura é um extrato alcóolico que concentra as propriedades do produto macerado nele. Para tomar, adicionam-se algumas gotas num copo de água ou suco e pode ser ingerida por adultos, bebês e crianças. Além disso, pode-se fazer medicamentos homeopáticos dedicados a situações mais específicas. A vantagem da tintura é a possibilidade de conservar os benefícios da placenta por muitos anos após o parto, já que a sua grande quantidade de hormônios traz alívio e equilíbrio em todas as fases da vida da mulher, da primeira menstruação à menopausa.
O encapsulamento da placenta tem sido super popular, já que é discreto e neutro. Cada placenta permite obter umas 150 cápsulas e conservam-se por 6 semanas. São uma solução natural para os momentos em que a mãe está muito cansada, com flutuações de humor ou com menos leite.
Já o creme de placenta é extremamente útil na reparação de tecidos, ajudando na cicatrização e trazendo conforto a erupções cutâneas, comichões, hemorroidas... No bebê, aplica-se nas assaduras.

O estranhamento a essas práticas é natural, mas condenar sem conhecer não ajuda ninguém. Se lembrarmos que somos animais, mamíferos, a reação será menos repulsiva e mais voltada a curiosidade. Independentemente de tudo, a placenta é um órgão vital na existência de qualquer mamífero e, pessoalmente, é uma falta de respeito tratá-la com tanto nojo e menosprezo.

Qualquer dúvida, acréscimo ou correção, por favor escreva nos comentários! ;)